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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

From the South...

Hola que tal?
Pedimos desculpas aos companheiros leitores, pois os deixamos na mão durante esse intenso mês de Novembro.
Here we go...


Quando Eric Clapton conheceu Duane Allman, ele disse algo como: “Duane é uma alma solitária. Um Deus da guitarra!”. Tanto disse, que os dois tocaram juntos em praticamente todo o disco “Layla and Other Assorted Love Songs”, do Derek and the Dominoes. Os dois se conheceram por intermédio de Tom Dowd, produtor de ambos, que levou Clapton ao show dos Allman Brothers em Miami. Quando Duane avistou Clapton na platéia, ele congelou, estourou uma corda e ficou paralisado, restando a Dickey Betts continuar o solo interrompido. Após o show, Clapton o convidou a se juntar ao Derek and the Dominoes nas sessões de gravação. Duane acabou exercendo um papel fundamental no disco, gravando quase todas as canções.


The Allman Brothers Band surgiram no final da década de ‘60 no Estado da Geórgia, Sul dos EUA. São considerados os arquitetos do estilo Southern Rock, que consiste na mistura no Rock’n Roll com o country e o blues. Além desses gêneros, eles ainda incluíram o Jazz à mistura, o que talvez tenha dado o toque especial ao som dos Allman Brothers. A banda era formada originalmente pelo vocalista e organista Gregg Allman, os guitarristas Duane Allman e Dickey Betts, o baixista Berry Oakley, e os bateristas Jai Johanny Johanson e Butch Trucks.


Pouco antes da morte de Duane e Berry Oakley, eles realizaram alguns concertos antológicos nos auditórios Fillmore, de propriedade do notório empresário musical Bill Graham, que hoje possui um site com todo o seu acervo disponível de graça para ouvir. Tais concertos entraram para a história e fizeram dos Allman Brothers uma lenda pelo seu poder de improviso no palco, tocando músicas por mais de 20 min.


O álbum em questão é o “Live at Fillmore”, gravado ao vivo no auditório Fillmore East, em Nova York, nos dias 12 e 13 de Março de 1971, e lançado no mesmo ano. Foi considerado um dos melhores álbuns ao vivo da história, apareceu em 49º lugar na lista dos 500 melhores discos de rock de todos os tempos da revista Rolling Stone e chegou ao 13º posto dos mais vendidos na parada Billboard. Destaque para as músicas "Whipping Post", um tour de force improvisado de 20 min., e "Hot ‘Lanta", um instrumental em que se percebe bem as duas baterias trabalhando juntas.


Dizem que “tudo o que é bom, dura pouco”, e infelizmente foi o que aconteceu com os Allman Brothers. A banda estava em alta por conta do álbum ao vivo em Fillmore, lançado em Julho de 1971. Em Outubro, Duane morre em um acidente de moto, e em Novembro do ano seguinte, o baixista Berry Oakley também morre da mesma maneira, apenas a 3 blocos de distância de onde Duane perdera a vida.
A banda continuou em frente com diversos membros diferentes, Warren Haynes vocalista e guitarrista do Govt’ Mule, e Derek Trucks, garoto prodígio da guitarra, sobrinho do baterista Butch Trucks.



Curiosidade


A banda nunca gostou de ser fotografada, e curiosamente na capa do Album todos estão sorrindo alegremente. O motivo: no meio da sessão, Duane avistou um amigo que era também dealer, pegou um punhado de Cannabis e o escondeu entre as pernas, o que fez toda a banda gargalhar.



TRACK – LIST



Lado A
1 – Statesboro Blues
2 – Done Somebody Wrong
3 – Stormy Monday

Lado B
4 – You Don’t love Me

Lado C
5 – Hot ‘Lanta
6 – In Memory of Elizabeth Reed

Lado D
7 – Whipping Post

Sugestão de Playlist
1 – Herbie Hancock - Hang Up Your Hangs Ups

2 – Art Blakey and The Jazz Messengers - Dat Dere
3 – Fela Kuti - Zombie
4 – George Harrison - Isn’t It a Pity?
5 – The Allman Brothers Band - Black Hearted Woman

terça-feira, 29 de julho de 2008

Big Time Orchestra

A coisa tá de rosca, como eu sempre digo de início...


Saudações Terráqueos,

Hoje nossa pauta contempla a Big Time Orchestra, Big Band curitibana que produz um Rock/Soul/Swing/Jazz de altíssima qualidade, além de uma performance no mínimo divertida nos palcos.

Vou ser bem direto e conciso para descrever os caras. Mas para os desavisados, já comunico que não tem download, apesar de eu possuir o CD. Explico: Por ser uma banda pouco conhecida no Mainstream, mas de grande qualidade, acho que vale a pena as pessoas gastarem um pouco do seu tempo no site dos caras, e mais do que isso, desembolsar míseras 10 pratas num CD bacana. Apesar de apenas 5 músicas, o disco é bem legal e vem ainda 2 faixas extras em vídeo. Não quero ser o cara a canibalizar as vendas deles, já que eles não disponibilizam nada para download.

Canibalizo sim, de certa forma, o material de grandes bandas, porque acho que é uma forma de lutar contra os preços abusivos dos CDs, além de ser um incentivo à compra do material, pra quem se torna fã de verdade. Além disso, o número de downloads aqui é incipiente perto do volume de vendas dos "grandes", e se eu não fizesse, outra pessoa faria. Mas esse não é o mérito desse Post.

O Show dos caras, com S maiúsculo, que eu presenciei, rolou em Campos do Jordão no sábado, dia 19. Nem sabia que eles eram a banda da noite, mas assim que vi o nome, associei à banda que fecha curtas temporadas no Bourbon Street. Só o fato de estar no Bourbon já me indica um selo de qualidade, e por isso fiquei para checar.

O repertório inclui diversos clássicos, bastante Rockabilly bem suingado, frases de guitarra sempre pertinentes, uma tecladista virtuosa e um naipe de metais muito bem entrosado, não só musicalmente, como na qualidade cénica. Enquanto algum dos membros da banda executa um dos muitos solos que permeiam o show, a trupe dos metais faz coreografias e palhaçadas que dão um brilho extra ao Show. Destaque ainda para o guitarrista estilo Joe Satriani, sua linda Semi-Acústica, e o vocal encorpadíssimo que lidera a banda.

Não cabe aqui ficar pontuando os ápices da apresentação. Basta estender o convite para que vocês acessem o site deles. ali dá para ouvir a banda, ver alguns vídeos, conhecer a agenda de shows, e por ai afora. Fica a dica de que eles vêm pra mais uma temporada no Bourbon em Setembro, por isso preparem suas agendas.

Sem mais delongas, fica o convite.

Abraço!

PS: Meu sonho é ter uma Big Band.

Sugestão de Playlist:
1. Elvis Presley - Hound Dog
2. Buffalo Springfield - Broken Arrow
3. Marina de La Riva - Ta Hi
4. Frank Zappa - Catholic Girls
5. Chico Buarque e Maria Bethânia - Sem Fantasia

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Hora do Jabá

Opa!

Tá meio devagar a coisa aqui né? Hoje tem novidade fresca. Temos certeza que vocês nunca ouviram isso aqui. Até porquê é produção nossa (por isso o título). Improviso sem compromisso sobre um standard de blues, gravado no último final de semana na casa do Ito. Check it out, e espero que curtam.

E por fim, observem que há uma nova seção ali na barra lateral, com os próximos reviews e tópicos que iremos trazer aqui. Sintam-se livres para opinar e sugerir temas aqui pra nossa budega.

Abraços!

Sugestão de playlist:

1. Derek and the Dominos - White Room

2. Desert Sessions - Crawl Home

3. Van Morrison - Wild Night

4. Milton Nascimento e Jobim Trio - Tudo o que você queria ser

5. Elza Soares - Não deixe o samba morrer

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Bluesbreakers

Mais um post com introdução porca e enchendo linguiça...

Saudações colegas leitores!

Não este espaço não foi abandonado. Está firme e forte - como nosso Corinthians - na dura batalha de revelar e disseminar as pérolas que já passaram ou estão para passar por ouvidos atentos ao redor de todo o globo. Como sabemos, a cada dia brota mais música na terra, junto com um bando de lixo descartável. A tarefa é árdua e, ao que parece, estou só neste blog (companheiros autores, isso foi uma alfinetada). Mas como há ainda alguns sobreviventes entre os leitores, trago-lhes uma nova pérola. De antemão já aviso que é blues do bom, feito por quem realmente sabe, na boa década de 60.

Há alguns posts atrás, João Victor lhes contava a história do Cream em 2 capítulos. No meio dessa história, um importante John Mayall gravaria com Eric Clapton mais os Bluesbreakers um sacro álbum na biblioteca do blues: John Mayall & The Bluesbreakers with Eric Clapton (grande título).

Conhecido pelos fãs como "The Beano", o disco é magnífico, para dizer pouco. Clapton, em grande forma, dispara riffs e solos mirabolantes sobre standards de blues muy bien executados por John McVie e Hughie Flint na cozinha do conjunto. Em meio a isso, tecladinhos serelepes e a gaita incediária de John Mayall sapecam as canções, resultando numa obra de qualidade indiscutível.

Muitos podem dizer que um álbum majoritariamente composto de standards de blues pode ser enjoativo, mas o conjunto faz questão de provar o contrário. Já de cara All Your Love traça para o ouvinte os melhores prognósticos. E o disco segue com mais outras pérolas, como Little Girl e Hide Away, que soa estranhamente familiar a qualquer um que a ouça pela primeira vez (já ouviu falar em inconsciente coletivo?). Clapton ainda aproveita para emprestar o riff de Day Tripper em What I'd Say, e sem dúvida nenhuma se constitui como a grande cereja do bolo de John Mayall. Não por acaso, nessa mesma época surge a famosa inscrição "Clapton is God" nas ruas de Londres.

Com todo esse background, só resta ao leitor baixar o material.


Abraço!

Sugestão de Playlist:

1. John Mayall & The Blues Breakers - Little Girl
2. Division of Laura Lee - Black City
3. The (International) Noise Conspiracy - Up for sale
4. Milton Nascimento & Jobim Trio - Chega de Saudade
5. Desert Sessions - Nenada

quarta-feira, 9 de abril de 2008

They're an American Band

Apesar de poucas palavras, este post tem muito a acrescentar.


Quando se fala em Classic Rock, frequentemente bandas como Pink Floyd, Beatles, Doors, Rolling Stones, Led Zeppelin, Yes, Deep Purple, Cream, entre muitas outras, são citadas. A despeito das grandes diferenças entre esses sons, a classificação é válida. Entretanto, muitas vezes uma banda fica esquecida entre esses dinossauros. Trata-se do Grand Funk Railroad.

Oriundo de Flint, Michigan, EUA, esse power-trio iniciou suas atividades por volta de 1969, sob o nome de Terry Knight & The Pack (ainda não eram um power-trio nessa época). Naquele ano, o indivíduo responsável pelo prefixo do The Pack, tornou-se empresário e faz-tudo do então recém nascido Grand Funk Railroad. Numa época de grandes festivais de música, o astuto manager arrumou uma ponta para a banda no 1969 Atlanta Pop Festival, que contava com atrações do porte de Janis Joplin, Johnny Winter, Johnny Rivers, Canned Heat, Creedence Clearwater Revival, Led Zeppelin e até Dave Brubeck. Em um show para cerca de 100 mil pessoas (há controvérsias quanto ao número exato, variando para mais e para menos), a banda ganhou notoriedade e assinou um contrato.

Naquele mesmo ano (1969 foi bem movimentado), saia o Debut-album do Grand Funk: On Time. Disco coeso, com um pé no blues e outro no Rock, a banda se tornou bastante popular, apesar dos duros golpes que recebia por parte da crítica especializada, justamente por conta da sua postura "populista". Mesmo assim, devo dizer que é um disco bem bacana, apesar de cru. Mark Farner dá conta dos vocais e guitarras, com auxílio de Don Brewer também na bateria e vocais, e Mel Shacher no baixo. Destaque para o maior hit do disco, Heartbreaker, e alguns outros trunfos, como Are you Ready? e High on a Horse.

- Nota 9 do Autor.

Daqui em diante, larguemos a biografia. Pretendo comentar sobre mais dois discos que conheço.

Cronológicamente, o próximo é o Closer to Home (devo lembrar que há o Grand Funk entre eles). Disco bacana também, mais maduro, e traz a primeira música que ouvi deles: I'm Your Captain (Closer to Home). Destaque também para a faixa de abertura Sin's a Good Man's Brother, com vocais potentes e riffs de guitarra poderosos, que aliás, permeiam todo o disco.

- Nota 8,5 do autor.

Em 1973, a banda lança o disco que contém o seu maior hit. We're an American band é o nome do álbum e da faixa. Apesar do ufanismo babaca, é um som bem estimulante, principalmente por conta do irresistível cowbell (sempre funciona!). O restante do disco também vale a pena, ainda mais pelo vocal mais rasgado de Don Brewer em algumas das faixas.

- Nota 9 do autor.

Enfim, o Grand Funk Railroad é uma banda bacana que não merece ser esquecida. Não conheço a totalidade da obra, mas tenho boas referências. Devo admitir que não é a mais original das bandas de Classic Rock e que, sim, há um ranço de Wannabe em relação ao Cream. Mesmo assim vale a pena aguçar os ouvidos para esta banda, ao contrário do que fez a crítica americana no tempo em que a banda existiu (*1969 + 1983). Para tanto, ofereço-lhe, paciente leitor, os downloads dos três discos aqui citados.




Sem mais, recolho-me.

Abraço!

Sugestão de Playlist:

1. Grand Funk Railroad - High on a Horse
2. Grand Funk Railroad - Sin's a good man's Brother
3. Grand Funk Railroad - We're an american band (dá-lhe Cowbell)
4. Fu Manchu - Urethane (dê-me mais Cowbell)
5. Queens of the Stone Age - Little Sister (esbanjando Cowbell)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Let's Boogie

O que eu tenho em mente pra dividir com o caro leitor é sobre uma banda um pouco desconhecida, e que eu tenho ouvido bastante nos últimos tempos. O Canned Heat.

Em resumo, o Canned Heat é uma banda norte-americana de Blues, que ficou famosa depois de se apresentar em grandes festivais como o Woodstock, Stamping Ground e Monterey. O nome veio de uma música de 1928 que falava sobre um alcoólatra (ou alcoolista, como preferir) que começou a beber Sterno, um combustível mais conhecido como “Canned Heat”. Liderado por dois entusiastas do blues, Alan “Blind Owl” Wilson e Bob “The Bear” Hite, a banda foi longe e chegou a gravar até um álbum duplo com a lenda do estilo, John Lee Hooker.

Biografias a parte, eu quero chamar a atenção para um álbum em especial: Hallelujah, de 1968. Além do blues, o Canned Heat mandava muito no boogie , e nesse disco isso fica muito claro. O álbum começa com Same All Over, uma música animada com um bom fraseado de piano do inicio ao fim. Já em Change My Ways quem canta é Alan Wilson, sua voz é diferente, talvez suave, não sei. Ainda destaco Sic 'em Pigs e Time Was, as duas que viraram singles. Sic (...) tem uma levada interessante, meio fora de tempo e sincronia. Já Time Was tem tudo encaixado e um solo de guitarra com muito feeling! E por último, Down in the gutter, but free, que é uma jam de estúdio onde os músicos trocam de instrumentos.

Track Listing

01 - "Same All Over" (Canned Heat/Henry Vestine) – 2:51
02 - "Change My Ways" (Alan Wilson)
– 2:47
03 - "Canned Heat" (Bob Hite) – 4:22
04 - "Sic 'em Pigs" (Hite/White) – 2:41
05 - "I'm Her Man" (Leigh) – 2:55
06 - "Time Was" (Wilson) – 3:21
07 - "Do Not Enter" (Wilson) – 2:50
08 - "Big Fat (The Fat Man)" (Dave Bartholomew/Fats Domino)
– 1:57
09 - "Huautla " (Wolf) – 3:33
10 - "Get Off My Back" (Wilson) – 5:10
11 - "Down in the Gutter, But Free" (Canned Heat) – 5:37

Download - Canned Heat - Hallelujah (1968)

Recomendo esse álbum pra todo mundo que não conhece a banda e quer ter o primeiro contato. Além dele, sugiro mais dois bons discos, Living Blues, duplo de 1968, e Hooker’n Heat, também duplo de 1970, o qual foi a última gravação junto com Alan Wilson, que morreu meses depois.

Let’s Boogie!

Sugestões de Playlist:

1. Boogie Music – by Canned Heat
2.
Fuckin’ in the Bushes - by Oasis
3. Nuvem Cigana – by Clube da Esquina
4.
Not Guilty – by George Harrison
5. Whipping Post – by The Allman Brothers Band

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Parte II - A Nata do Blues Britânico

Segue agora a segunda parte da história do Blues Britânico. Eu particularmente gosto muito dessas trajetórias, histórias, etc, então agradeço novamente ao Ito pela força. Destaco ainda a música I Feel Free pra vocês ouvirem. Melhorou, e muito, o meu dia. Sem mais.

Texto escrito por João Victor Andery

Voltei, e voltei com o creme (que não é Victoria’s Secret).

A história se passa após um show dos Bluesbreakers dentro de um carro Rover (não o show, a história), quando o baterista do Graham Bond Organization, Ginger Baker, dava uma carona de volta a Londres para Eric Clapton. Conversa vai, papo vem, e Baker menciona os problemas de Bond com as drogas e a sua vontade de sair e começar uma nova banda. Coincidentemente, olhem que genial, Clapton pensava a mesma coisa! Mais conversa vai, mais conversa vem, e, finalmente, Baker convida Clapton para se juntar à banda. Obviamente, Eric aceita, mas com uma condição: Baker teria que contratar Jack Bruce para tocar baixo.


Na época, e talvez até hoje, Jack e Ginger não se gostavam tanto quanto Waters não gosta do Gilmour. Dizem as más línguas que, certa vez quando ainda tocavam juntos com o Graham Bond, Ginger chegou a ameaçar Jack com uma faca. As diferenças eram tantas, que um sabotava o instrumento do outro e por muitas vezes iam às vias de fato ali mesmo em cima do palco em frente a toda a platéia. Seria aquele o último encontro de dois monstros do hard-rock-psichedelic-jazz-blues (HRPJB)? Talvez não. A não ser que o legítimo Jack tenha morrido em um acidente automobilístico e tenha sido trocado por um sósia chamado Billy. Mas a verdade é que, após uma reconciliação (não cabe a nós julgarmos se foi sincera ou não), Eric, Jack e Ginger entraram em estúdio.

A mídia ficou sabendo, e logo em seguida o furor tomou conta da multidão. Todos à espera de um milagre, afinal, eram três mestres plugados juntos a uma mesa de som. Os três chamam a banda de Cream pois eles já eram considerados “a nata” dentre os músicos de jazz e blues da Grã-Bretanha. Um fato curioso, ainda em 1966, um ilustre fã de Eric Clapton convida o Cream para tocar no mesmo festival em que ele tocaria, só pra ter a chance de fazer uma jam junto com o mestre. Esse fã era ninguém mais, ninguém menos que Jimi Hendrix.

Ainda em 1966, o Cream lança seu debut, Fresh Cream que alcançou o 6º lugar nas paradas britânicas e o 39º nos EUA. Mas isso são só números, e para nós, o que importa é o conteúdo. O álbum tem aproximadamente 12 faixas (varia de país em país), com alguns Standards do blues como “Spoonful”, “Rollin’ and Tumblin’” e “Cat’s Squirrel” e músicas próprias também, incluindo um dos primeiros solos de bateria na história do rock, o tour-de-force “Toad”. É o trabalho mais blueseiro e pesado deles, tendo destaque o hit “I Feel Free”, a porrada “N.S.U.” e o raíz “Sleepy Time Time”.

Já em 1967, sai o clássico Disraeli Gears, que alcançou o Top 5 em ambos os continentes. Eu precisaria de um post inteiro para contar detalhes deste álbum, mas o tempo é curto e o prazo também. Daqui saíram 3 maravilhas do mundo moderno: “Strange Brew”, “Tales of Brave Ulysses” e “Sunshine of your Love”. “Strange Brew” é um pop no estilo de “For Your Love” dos Yardbirds (música que foi motivo de saída do Clapton da banda), “Tales of Brave Ulysses” é uma viagem de ácido, e “Sunshine of Your Love” é uma história que começou a ser escrita no amanhecer de um dia na sacada de um hotel (It’s getting near dawn, when lights close their tired eyes). Outro destaque vai pra “Dance the Night Away” e “SWLABR”. Certa vez, perguntado no dvd “Classic Álbuns: Disraeli Gears” sobre essa música, Jack Bruce declarou:

Entrevistador: Qual é o significado dessa música?
Jack Bruce: (...) Drogas.

Ouça e comprove.

Em 1968 o Cream lança o seu álbum mais bem sucedido, o imponente disco duplo Wheels of Fire, primeiro disco de platina (1 milhão de cópias) a receber o certificado da RIAA, (Recording Industry Association of America). O disco 1 contém músicas inéditas, entre elas o sucesso de rádio “White Room” e a porrada “Deserted Cities of the Heart”. Já o disco 2 mostra o Cream ao vivo com uma performance memorável de 16 min de “Spoonful”. Porém, o ano não foi só de alegrias para a banda. Foi em 68 que eles não suportaram mais as pressões e decidiram terminar o que tinham acabado de começar. Bruce e Baker não se agüentavam mais e Eric não mais suportava ser o pacificador de brigas cinematográficas. Além disso, Clapton leu na Rolling Stone uma crítica sobre o Cream, em que o autor o nomeava como o mestre do blues clichê. Isso fez com que ele decidisse acabar com a banda e procurar um novo rumo musical para si (vide Derek and The Dominoes).

Já acabado, o Cream cumpre tabela e lança em 1969 o seu derradeiro trabalho de estúdio com um título que veio bem a calhar: Goodbye. Nada demais, apenas um desfecho póstumo, talvez em grande estilo para os fãs de boas parcerias, pois a faixa “Badge” é autoria de Clapton e do beatle George Harrison. Inclusive, foi o próprio George quem gravou a guitarra base.

Anos e anos depois os rapazes, agora bons senhores ingleses com dentes podres e roupas bem alinhadas, se encontraram em ocasiões especiais que não merecem ser mencionadas. A não ser a reunião do Cream em 2005 que acabou sendo lançado em CD e DVD. Foram shows no Madison Square Garden, em Nova York, e no clássico Royal Albert Hall, em Londres.

Dificilmente alguém vai conseguir fazer o que esses caras fizeram, sinceramente, sou bastante cético quanto a isso. Mas pensando por outro lado, as pessoas deviam falar a mesma coisa quando Mozart morreu, ai surgiu o Rock’n Roll e tudo ficou beleza.

Muito obrigado pelo espaço e espero voltar mais vezes. Enquanto isso devore o Cream sem moderação porque é bom demais.

Abraxoletas, como diria um amigo.


Download - (1969) Goodbye

Sugestão de Playlist:

É difícil eleger as 5 melhores do Cream, então eu vou tentar quebrar as regras e mostrar 10 essenciais.

1 – N.S.U.
2 – Sleepy Time Time
3 – Spoonful
4 – Sunshine of Your Love (procure a versão do Live Cream)
5 – Dance the Night Away
6 – We're Going Wrong (destaque especial)
7 – Tales of Brave Ulysses
8 – SWLABR
9 – White Room
10 – Deserted Cities of The Heart (ouça o solo do mestre)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Parte I - As Raízes do Blues Britânico

O próximo Texto é de autoria de João Victor Andery (Ito). Fico feliz em perceber que esse blog tem servido para estimular o interesse pela música, pela leitura e pela escrita, mesmo que para uma minoria. A idéia é essa mesmo. Sem mais delongas, segue o texto.

Na velha Londres da década de 60 uma nova geração de músicos floresceu. Vieram os Beatles, os Stones, The Who, Pink Floyd e etc. Eis que dessa geração saem algumas peças fundamentais para o surgimento do Blues fora da América. Tudo (e quando eu digo tudo, é tudo mesmo) começou com Alexis Korner, conhecido como "O pai do Blues britânico", e a sua banda, a Blues Incorporated, que inicialmente tocava R&B *. O sucesso da banda era tamanho, que eles faziam shows com Muddy Waters e recebiam fãs como Mick Jagger, Keith Richards, Brian Jones, Rod Stewart, John Mayall e Jimmy Page.

Pelo Blues Incorporated, já passaram diversas figuras notáveis do meio musical, como Charlie Watts (baterista dos Stones), Jack Bruce e Ginger Baker (baixista e baterista do Cream, respectivamente), e Graham Bond **, (organista, saxofonista e vocalista do Graham Bond Organization). Vale lembrar que Bond foi um dos primeiros músicos (quiçá o primeiro) a combinar o órgão Hammond aos amplificadores Leslie (equipamento básico de Jon Lord no Deep Purple), e hoje é também conhecido como o co-criador do Blues britânico.

Fora o Blues Incorporated e o Graham Bond Organization, mais uma banda forma a Tríplice-Coroa-dos-Pais-do-Blues-Britânico (TCPBB): o John Mayall and The Bluesbreakers, na minha modesta opinião, a mais importante delas. Faziam o som melhor trabalhado e sem dúvida terminaram de definir o Blues por lá. Eric Clapton passou pelos Bluesbreakers e com eles gravou um disco de título criativo: “Eric Clapton with The Bluesbreakers”. Foi nessa época que começaram a aparecer as inscrições “Clapton is God” nos metrôs de Londres. Além do ótimo som, os Bluesbreakers de John Mayall ficaram famosos por dar origem a outras bandas.

- Então espera ai. Pensando dessa forma, o cenário Blueseiro na Inglaterra era uma verdadeira putaria! Um dava raízes ao outro, que dava origem a mais um, e assim em diante.

Exato. Alexis Korner originou os Stones e o Graham Bond Organization. O Graham Bond deu origem ao Cream. E o John Mayall and The Bluesbreakers por sua vez deu origem ao Fleetwood Mac ** (na época de Peter Green, quando eles faziam um Blues roots), integrou Mick Taylor (não é o Jagger) nos Rolling Stones e Eric Clapton no Cream.

E é aqui onde eu queria chegar, no Creme do Blues, com os músicos mais requisitados da época, o primeiro Power Trio da história. Jack Bruce, Ginger Baker e Eric Clapton, o Cream. Mas essa é outra história, que fica pra mais tarde. Já tomei em demasia o tempo do leitor.

Obrigado e até a próxima.

Notas:

* O R&B era o estilo dominante da época. O The Who e os Stones no início eram R&B (Rhythm and Blues).

** Particularmente, Graham Bond era uma cara estranho. Viciado em heroína por algum tempo, largou as drogas e começou a se envolver com o ocultismo, chegando até a achar que era filho do próprio Aleister Crowley. Acabou suicida debaixo das rodas de um trem.

*** O Fleetwood Mac já foi bom um dia. No seu início, antes de Stevie Nicks e cia. entrarem para a banda, eram Peter Green e John McVie quem ditavam as regras. E a regra era o Blues.

**** Rod Stewart também já foi boa gente e gravou um disco Blueseiro com o Jeff Beck.
Texto por: João Victor Andery

Sugestão de Playlist:

1. John Mayall and the Bluesbreakers (With Eric Clapton) – Steppin’ Out
2. John Mayall and the Bluesbreakers (With Eric Clapton) - All Your Love
3. Graham Bond Organization - Wade in the Water
4. Graham Bond Organization - Big Boss Man

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Clapton & Cale

Long time no see!

Em São Paulo, feriado monstro para alguns. Mas tudo normal hoje, exceto pela cara de segunda-feira. Porquê às vezes os dias tem cara de outros dias? Qual seria a forma correta do Porquê na sentença anterior? Porquê eu estou indagativo hoje?

Ok. Linguiças já inchadas, vamos ao assunto.

Eric Clapton vira e mexe faz algumas parcerias. Já citei aqui o álbum que ele gravou com o velho Riley B. King. E prometi há algum tempo escrever sobre a empreitada dele com Jean Jacques Cale, sugestão do Johnny. A coisa foi sendo empurrada com a barriga até hoje, e eu preciso me livrar desse encosto, antes que ele me consuma. Aproveitando que eu tenho pouco, ou quase nada pra tratar aqui (apesar da última onda de sugestões, que eu ainda não assimilei), segue abaixo um pequeno review sobre o trabalho citado acima.

The Road to Escondido é o nome do álbum, lançado em 7 de novembro de 2006.
Historinha:

"Eric Clapton organiza em 2004 o Crossroads Guitar Festival, um festival de 3 dias de shows em Dallas, com a participação de diversos bluesmen, entre eles, J.J Cale. Clapton, desde cedo influenciado pelo homem, decide convidá-lo para produzir seu próximo trabalho. O clima é bom, os rapazes se dão bem, tuuuudo é uma maravilha. Então Cale passa de produtor a co-autor, e eles gravam The Road to Escondido, em referência à cidade de natal de J.J Cale, Valley Center, que fica próxima a Escondido."

Bom, tratando-se do homem que influenciou Clapton, Cale só poderia acrescentar mais ao álbum. E foi o que aconteceu. Além do blues, do rock e dos timbres aveludados já característicos do Slowhand, J.J adicionou à mistura um pouco de folk, country e desacelerou as cadências do Blues. O resultado é um álbum suave, inteligente, e cheio de detalhes. Mas nem por isso, o disco perde sua empolgação.

Entre as faixas, pianos serelepes, guitarras complementares, vozes sussurradas, e batidas que remetem ao Bluegrass. Destaque para Heads in Georgia, Don't Cry Sister, Sporting Life Blues e Hard to Thrill. E não tem muito mais o que falar. Disco bom e bem produzido, para se ouvir no calor da introspecção, ou ainda, na estrada. De preferência, rumo a Escondido.


Abraço!


Sugestão de Playlist:

1. Eric Clapton & J.J Cale - Hard to Thrill
2. David Lee Roth - Just a Gigolo
3. Social Distortion - Don't Drag Me Down
4. Bob Geldof - I Don't Like Mondays
5. Cidadão Instigado - O verdadeiro conceito de um preconceito

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Rock, blues e diversão

Saudações vulcânicas. É um prazer estar de volta!

Diversão!
Essa é uma das definições sobre o Rock que em que eu não pensava há algum tempo. Mas foi ela que me veio na cabeça no momento em que eu dei o play na minha mais nova aquisição! “From Beale Street To Oblivion”, oitavo disco do quarteto de Maryland, CLUTCH, mistura rock, blues e Hammonds com levadas marcantes e letras engraçadas. Os riffs de guitarra de Tim Sult lembram Billy Gibbons (do ZZ Top) e os vocais de Neil Fallon continuam agressivos como nos discos anteriores, apesar desse disco ser o mais bluesy de todos.
O disco começa com a poderosa You can’t stop progress”, e já mostra qual é a pegada do disco; Power player a faixa seguinte continua na mesma linha, mas com a letra mais critica; The devil and me” faz com que você se sinta dirigindo numa estrada, sem destino...; “White’s Ferry”, na minha opinião o primeiro ponto de destaque do álbum, tem uma levada mais lenta, mas chegando no refrão ela mostra quem é de verdade, com uma harmonia linda; Child of the city”, um riff que fica na cabeça por horas, com umas levadas em contra-tempo e o Hammond bombando; Electric worry”, o segundo ponto de destaque. É a faixa mais blues do álbum e é praticamente uma homenagem ao ZZ Top, pois o riff poderia ser facilmente confundido por um de Gibbons;
Na seqüência, uma regravação da clássica One eye dollar”, com algumas alterações na letra e adrenalina pura; Rapture of Riddley Walker, mais um riff que fica na cabeça a semana toda, com vocais altos e efeitos viajantes de guitarra; When vegans attack”, começa com um solo a lá Creedence e mantém a levada rock/blues até o fim; Opossum minister”, um pouco crua na produção, mas longe de ser uma faixa ruim;Black Umbrella”, levada blues, dessa vez com a ajuda de um slide e uma gaita, tocada por Eric Oblander, do Five Horse Johnson; Mr. Shinny Caddylackness”, o terceiro ponto de destaque do álbum e também a faixa que fecha o disco. Começa com o baixo subindo junto com o Hammond e um vocal ‘meio hip-hop’, mas se transforma em uma das melhores do disco, com direito a um solo de gaita junto com os de guitarra.
Um puta disco! Um dos melhores da safra de 2007.

Vale a pena conferir.

-- Long Live Rock ‘N’ Roll --

Sugestão de Playlist:

SheavyElectric Sleep

DozerBlack Light Revolution

Corrosion Of ConformityAlbatross

Karma To BurnOne

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terça-feira, 17 de julho de 2007

Sobre Deuses e Reis

B.B King é feeling. Ah sim, ele é.

Digno da coroa e do cetro de atual rei, ele é a personificação do heavy weight blues. É a própria história do jovem negro do Mississipi que foi tentar a sorte na cidade grande e acertou o jackpot. Quem nunca ouviu falar deste velho barrigudo cheio de carisma? Há quem diga que ele não é o cara mais rápido nas 6 cordas. Eu concordo. E há quem diga que ele não é tudo isso. Aí eu discordo. B.B King, mais do que apenas tocar guitarra, sente o blues. Ele vive o blues. Ele é o Blues.

Agora, se Riley “Blues Boy” King é o rei, quem é Eric Clapton?

Ora bolas, Clapton é o dínamo, o supra-sumo, o timbre-aveludado do blues e do rock. É a razão da existência dos Dominós, e a apoteose de “While my guitar gently weeps”. Clapton is God (parafraseando a famosa inscrição nos muros de Londres, nos anos 70).

Agora imagine-se sob o torpor de um velho Pub, sentado à uma mesa de madeira, tomando sua quarta dose de whisky e observando, por entre o breu e a fumaça, um par de cachorros velhos tocando um blues de primeira qualidade. Ou ainda, imagine-se sozinho num velho Cadillac conversível a 120 km por hora, com seu chapéu de cowboy manchado e uma bituca de cigarro em sua boca. O seu toca-fitas reproduz um bom boogie enquanto você percorre a auto-estrada esburacada, sentindo o vento na sua cara e o sol do meio-dia queimando o seu antebraço.

Ok, viajei. Mas esse é o clima de “Riding with the King”. É o típico álbum de blues recheado de acordes de piano em sétima, letras melancólicas sobre a mulher que sumiu e solos de guitarra deliciosos, tudo isso sob a luz do Rock. Pra completar, é tocado com maestria pelos dois figurões descritos no início do texto e contempla alguns dos clássicos do blues (a maior parte, de autoria do Rei).

É um álbum cool, para momentos cool, ou seja, para se curtir sozinho, de preferência no seu laboratório pessoal (no meu caso, o meu carro). É pra se prestar atenção nos timbres que Clapton põe sobre a mesa, no compasso marcado lentamente pela bateria, e no canto amargurado de B.B King. Não cabe aqui citar faixa por faixa, uma vez que cada uma traz o seu trunfo, seu segredo.
Não é nenhuma novidade, tampouco vai mudar o mundo. Mas é um bom disco praquelas horas de solidão, de amargura, ou quando se está enjoado daquele som de sempre. Eu gosto, e muito. Por isso, é a pedida da semana. Em breve continuo falando do que prometi. Por enquanto, mergulhe fundo no blues-rock-boogie-introspectivo-highway-torpor-clássico desta pérola que lhe passo, e depois venha me dizer o que achou, seu latino-americano metido a besta!
Download - Eric Clapton & B.B King - Riding with the King

Abraço!

Sugestão de playlist:

B.B King & Eric Clapton - Hold On I'm Coming
George Harrison - Any Road
At The Drive In - One Armed Scissor
Oswaldo Montenegro - Deus lhe pague
Chico Buarque - Ode aos Ratos