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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Shaved Fish

Hoje não é nenhuma data especial (a não ser o aniversário de Tony Iommi), mas vale a pena relembrar um dos grandes caras que já passou pela terra. Ou melhor, um pouco da obra dele.


Já ouvi muito Beatles, muito George Harrison, e ultimamente, um pouco de Paul McCartney. Contudo, hoje é a vez de citar o idealizador do Quarrymen, aquele conjuntinho que serviu de matéria-prima para o nascimento do Fab-Four. John Lennon, entre outras coisas, foi músico, cantor, compositor, escritor e ativista. Se o seu interesse é meramente biográfico, melhor clicar aqui, já que hoje temos Shaved Fish para o almoço.

Shaved Fish é uma coletânea de singles lançada em 1975. É um ótimo disco para se começar a se embrenhar na carreira solo de Lennon, porque reúne 11 das suas principais composições. Além da capa interessantíssima, o disco traz hits (palavrinha tosca) como Imagine e Give Peace a chance, e outras canções não menos importantes, como Instant Karma!, Power to The People e Mind Games. Não há muito mais o que dizer. Basicamente, é um disco foda, que desperta o interesse daqueles que curtem Beatles, Rock n' Roll, e acima de tudo letras inteligentes.
Curiosidade #1: Assim como Dr. Robert foi escrita após uma viagem de LSD de Lennon, Cold Turkey surgiu sob o efeito de Heroína.
Curiosidade #2: Paul McCartney descaradamente copiou a idéia de fazer um desenho para cada música sua, na coletânea All the Best (Bom também).


Tracklist:

1. Give Peace a Chance
2. Cold Turkey
3. Instant Karma
4. Power to the People
5. Mother
6. Woman is the Nigger of the World
7. Imagine
8. Whatever Gets You Thru the Night
9. Mind Games
10. #9 Dream
11.Medley: Happy Xmas (War Is Over)/Give Peace a Chance (reprise)

Abraço!

Sugestão de Playlist:
1. John Lennon - Cold Turkey
2. Fu Manchu - Laserbl'ast
3. Chico Buarque e Milton Nascimento - Cio da Terra
4. Ben Harper - Alone
5. Janis Joplin - Me and Bobby McGee

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

The Quiet One

É incomum, ou até inédito, postar 2 dias seguidos por aqui, mas a ocasião pede.
Hoje, 29 de novembro de 2007, completam-se 6 anos da morte de George Harrison. Paciente de câncer, Harrison lutou desde a década de 90 contra a doença, que se iniciou nos pulmões a atingiu seu cérebro. Ciente de sua condição, decidiu passar seus últimos dias ao lado da família, trabalhando em projetos pessoais, até falecer aos 58 anos de idade.
Foi conhecido como o Quiet Beatle, ou como ele próprio cita em uma de suas músicas, The Mystical One, pela sua personalidade introspectiva diante do público. Contudo, pessoalmente era muito mais falante e ativo. Foi um grande amigo de Eric Clapton e Tom Petty, com quem trabalhou no Traveling Wilburys. Além de um compositor excepcional, George sabia tocar 26 instrumentos musicais diferentes, entre eles guitarra, ukelele, sitar e piano.
Em 1958, à convite de Paul McCartney, George ingressava na banda Quarrymen, que já contava com John Lennon na guitarra. Surgia ali o embrião dos Beatles. A história é bastante conhecida, portanto, não cabe aqui recontá-la. O fato é que, ao longo dos anos, George ganharia uma tremenda importância na banda, contribuindo ativamente com composições cada vez mais frequentes, como Something, While My Guitar gently Weeps, Piggies, Taxman, entre outras. Entretanto, o volume de composições de Lennon e McCartney sempre limitava a participação das canções de Harrison nos álbuns da banda, tanto que, no mesmo ano em que os Beatles se separaram (1970), George lançou um trabalho solo triplo, intitulado All Things Must Pass.
Ainda nos Beatles, George conheceu o trabalho do músico Ravi Shankar, e começou a ter maior contato com a cultura indiana. Em 1966, numa viagem ao país, conheceu Maharishi Mahesh Yogi e pouco depois se tornou Hare Krishna.
Em 1971, George organizou o primeiro concerto humanitário, em prol dos refugiados de Bangladesh. Concert for Bangladesh teve a participação de Ringo Starr, Eric Clapton, Bob Dylan, Ravi Shankar, entre outros. Dois anos depois, lançava seu segundo trabalho solo, Living in a Material World, que inclui a conhecida Gimme Love (Gimme Peace on Earth).
No ano de 75, Harrison rompia com a Apple Records, para em 76 inaugurar o seu próprio selo, a Dark Horse records, que perdurou até 2002, com o lançamento do seu álbum póstumo Brainwashed. Além de ter lançado 16 álbuns solos (contando o Brainwashed) e 2 trabalhos com o Traveling Wilburys, Harrison escreveu o livro I, Me, Mine, que narra sua história pessoal nos Beatles, além de tratar sobre seus hobbies, entre eles, a formula 1. Inclusive, George foi amigo do piloto Emerson Fittipaldi.
Em 1999, George sofreria um atentado em sua própria casa. Um intruso, chamado Michael Abram invadiu sua residência e o esfaqueou. Dois anos depois, já debilitado e pouco antes de falecer, Harrison participou ao lado de Jim Capaldi da regravação da música Anna Julia, do Los Hermanos.
Apesar de sua morte, a lembrança de Harrison permanece. A homenagem não só é justo, como inevitável, sobretudo, pela sua contribuição à humanidade. Sem George Harrison, os Beatles não seriam os mesmos, nem a própria música. Assim sendo, fica aqui minha homenagem singela a um dos caras que eu mais admiro.
E como presente, deixo a vocês o Live in Japan, gravado em 1999, em turnê pelo país. Pessoalmente, é um dos meus favoritos, pois inclui grandes versões de músicas compostas nos Beatles e em sua carreira solo. De quebra, ainda tem a participação de Eric Clapton na guitarra. Um puta disco que eu recomendo a todos, inclusive ao meu pior inimigo.
Abraço a todos, e salve George Harrison!

Sugestão de Playlist:

1. George Harrison - Cloud 9

2. George Harrison - Cockamamie Business

3. Beatles - While My Guitar Gently Weeps

4. Beatles - Piggies

5. George Harrison - Bangladesh

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Clássico dos Clássicos

- Texto previamente publicado na última edição do jornal ESPMiano de maior tiragem em 2006, o Sr. Laranja -
Sou de uma geração que conserva o saudosismo de uma época que não viveu, que admira grandes ícones já mortos, e que ouve as músicas eternizadas pela memória de nossos pais. Enfim, uma geração que queria ter vivido em outra época. Em tempos em que a boa música é uma espécie rara, ameaçada de extinção, resta a nós, jovens saudosistas, lembrar dos discos que quebraram paradigmas e marcaram época. Venho aqui lembrar de um desses discos.

É um clássico. Uma verdadeira obra de arte, assinada não por um, mas por quatro artistas. Sua presença entre os 10 maiores discos de todos os tempos é indiscutível. E se existe alguma lista no mundo que não inclua esse disco, há de ser a lista dos piores. Aliás, se existe alguma lista no mundo que não inclui os Beatles, essa lista é malfeita. Até porque, na última lista dos 10 maiores discos de todos os tempos, publicada pela BBC em agosto, os rapazes de Liverpool apareciam com 4 de seus discos. Daí vem a dúvida: “mas qual disco é esse?” afinal de contas, dizer que um disco deles é genial é, no mínimo, redundante. Os discos falam por si sós. Os Beatles falam por si sós. O Abbey Road fala por si só.

Sim, o Abbey Road. Aquele disco cuja capa mostra os quatro Beatles atravessando a rua, repleto de mitos e indícios da morte de Paul McCartney. Um apanhado de canções geniais, considerado por mim e por muitos, o melhor disco dos Fab Four. O disco no qual os Beatles voltaram às suas raízes, as raízes do bom e velho rock n’roll, e fizeram o melhor lado B da história do vinil. A ode, portanto, é justa e inevitável.
O Abbey Road é o penúltimo disco lançado pelos Beatles, mas o último a ser gravado, depois do Let it Be (uma jóia também). Sua história envolve toda a lenda de que Paul McCartney teria morrido e sido substituído por um sósia, Billy Shears, que é inclusive citado na música “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”. Na capa, há vários indícios da morte de Paul, como por exemplo, o fato de ele ser o único andando descalço, com um cigarro na mão direita (sendo que ele era canhoto), e os demais Beatles representando o médico (John), o Padre (Ringo) e o coveiro (George). Muitos (inclusive Kotler) dizem que foi uma grande estratégia para alavancar a vendas do disco, mas isso é assunto pra outra discussão.

O fato é que o Abbey Road é um disco de retorno às raízes. Já diria George Martin que os Beatles voltariam a tocar como “nos velhos tempos”, ou seja, livres das discussões e brigas que vinham acontecendo (com certa freqüência). E como resultado dessa postura surge este magnífico álbum.

É no Abbey Road que ouvimos a maior contribuição de George Harrison aos Beatles, não só com músicas como Here comes the sun e Something, mas também com pequenas frases de guitarra e vocais afinados. Além de ser o mais legal dos Beatles, George se supera nesse álbum. Ringo também contribui com Octopus’s garden, a segunda música assinada pelo baterista, que narra um passeio pelo fundo do oceano. O impressionante é como essa música realmente lembra o fundo do mar, ainda mais com os vocais em gargarejo na parte do solo.

Mas as demais composições de Paul e John não ficam para trás. Come Together, por exemplo, é genial. A faixa de abertura do Lado A é, basicamente, uma variação de blues com o baixo marcante, solinhos de guitarra fenomenais e letras nonsense, além de um tecladinho inebriante pós-refrão.

Outro exemplo é I want you (she’s so heavy), escrita por Lennon. Trata-se de uma música de poucas palavras e uma das melhores do álbum. É hipnotizante, com um tom mais pesado, que depois se transforma numa longa sucessão de “climas”. A voz acompanha o fraseado da guitarra, percorrendo quase toda a música, que dura cerca de 7 minutos.

Há também baladas românticas, como Oh Darling!, mais ao estilo anos 50, com um piano intermitente, guitarras secas e algumas doses de vocais gritados por Paul (When you told me / You didn't need me anymore...).

Todas as canções merecem sua menção, seja Maxwell’s Silver Hammer, com suas guitarrinhas caipiras e batida circense, Because, com seu tom grave e triste, ou You never give me your money que abre o Medley do Lado B com genialidade.

Aliás, cabe aqui uma descrição precisa do medley do Lado B, por que ele é talvez a seqüência de músicas mais impressionante que já ouvi na vida. As más línguas dizem que esse medley desagrada John Lennon pelo fato de ter sido criado quase que exclusivamente por Paul McCartney, mas eu discordo, já que é impossível não gostar dessa seqüência. De fato, é incrível como as pequenas canções se desenvolvem e se complementam, resultando numa narrativa musical considerada por muitos como o clímax do álbum.

O Medley começa com You never give me your money seguida por Sun King, cantada em italiano, Mean Mr. Mustard (such a mean old man! e Polythene Pam. Em seguida vem She came in through the bathroom window (escrita depois que uma fã literalmente entrou na casa de Paul pela janela), Golden Slumbers e Carry that weight. E para finalizar o medley, nada mais justo que The End, com um solo de bateria de Ringo e ainda um jam de solos de guitarra feitos por Paul, John e George, que levam qualquer um à apoteose.

Depois do medley, Her Majesty, uma pequena vinheta de 20 e poucos segundos com voz e violão, termina o Abbey Road em sol.

E ai eu sempre fico esperando o próximo acorde, com cara de besta, absorto, imaginando: “como é que esse disco foi feito?”.

OBS – Pra quem ficou curioso, veja aqui a lista dos TOP 10 discos de todos os tempos, divulgada em agosto pela BBC.
Download - The Beatles - Abbey Road