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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Ok, ok... I'll lick your legs.

Boa tarde.

Me deparei hoje com um re-convite para fazer parte desse blog que tanto traz coisas boas aos seus leitores. Escrevi algo aqui a muito tempo atrás, e (digo isso com vergonha) não mais trouxe algo de útil para cá. Obviamente eu dei uma "folheada" no blog antes de postar alguma coisa, pois queria trazer algo de novo (não necessariamente atual) para vossas caixas cranianas. Foi então que eu me deparei com uma citação sobre uma inglesa que participara das famosas "Desert Sessions". Acontece que essa "fish n' chips eater" está vitalícia no meu playlist, atormentando minha mente e trazendo muitas boas influências para mim.

Falemos então de PJ Harvey: Polly Jean Harvey, nasceu na Inglaterra e parou de crescer cedo. É um toco. Porém, seus poucos centímetros não são tão aparentes quando ela faz o que lhe foi incumbido: cantar. Seu primeiro álbum (Dry, 1992) se compõe de músicas densas, com temáticas pesadas. Recomendo.

Com um total de 7 álbuns de estúdio lançados, PJ parece não gostar muito de estereótipos e rótulos. Desde Dry, até seu último lançado em 2007, Harvey apresentou dezenas de sonoridades, timbres, vozes e intenções diferentes. Quer algo pesado? Ok, ouça Uh huh her de 2004. Entendi, você precisa sentar e ter espasmos nervosos e musculares: Nada melhor do que White Chalk (o último) na íntegra, onde ela realiza experiências sonoras jamais vistas em sua carreira. Ou, se ainda não se convenceu e está em busca de um álbum que mude a sua vida, recomendo Stories from the City, stories from the Sea (2000). Nesse álbum, nossa querida e tipicamente britânica se inspira em toda sua experiência nos Estados Unidos, especialmente em NY. É uma obra-prima. Com um destaque à música This Mess We're in com a participação de ninguém menos que Thom Yorke.

Infelizmente não posso disponibilizar os links dos álbuns dela porquê estou no trabalho, e aqui temos muitas restrições virtuais (imaginem só: não posso sequer me atualizar no Sandrinha, como faço há anos!), mas deixo a dica: No Orkut, acessem a comunidade DISCOGRAFIAS. É o paraíso. Vocês hão de encontrar tudo o que quiserem dela, e de qualquer outro artista, basta ir na opção "buscar tópicos" ou algo assim.

Deixo aqui algumas sugestões de músicas da moça:

Kamikaze - Stories from the City, stories from the Sea (2000)
Dress - Dry (1992)
Grow grow grow - White Chalk (2007)
The Letter - Uh Huh Her (2004)
To Bring you My Love - Álbum homônimo (1995)
Rid of Me - Álbum homônimo (1993)


Mas não parem por aí.

Um beijo a todos vocês.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

It's Palm Desert, Baby.

Sem idéias para um subtítulo melhor...


Enfim, cumprindo com a promessa que fiz a mim mesmo, posto-lhes as Desert Sessions. Todas elas, de 1 a 10 como nos discos de vinil, mas agrupadas em pares, como são os CDs. Para quem não sabe, Desert Sessions são sessões experimentais de música que tomaram lugar no Desert de Joshua Tree, EUA. Lideradas por Josh Homme, frontman do QOTSA, essas sessões reunem diversos músicos da cena Stoner, além de mais um punhado de músicos aleatórios. O resultado é extremamente psicodélico, experimental e diferente de tudo que já ouvimos.

As Desert Sessions começaram em 1997 e a última gravação foi em 2003. Foram seis anos de sessões lisérgicas, resultando em canções não-comerciais que passeiam entre o obscuro e o ridículo, no bom sentido. Têm uma pegada stoner rock bem forte, com nuances de alucinação e o que parecem ser impropérios eletrônicos, mas que na verdade soam bem ao pé do ouvido, no conjunto.

A primeira e a segunda sessão são as que trazem a maior bagagem experimental. Nota-se que é uma reunião sem compromisso de músicos, improvisando loucamente em canções, na maioria das vezes, instrumentais. É um álbum de abertura bem bom, mas um pouco difícil na primeira audição. Destacam-se Screamin' Eagle e Johnny the Boy como as mais interessantes.

Já o segundo par de discos traz alguns covers e músicas que serviriam de base para ábuns do QOTSA posteriormente. Aqui a participação de gente aleatória começa a aumentar, o que torna o disco mais rico. Destaque para Monsters in the Parasol (que depois figuraria no Rated R), The Gosso King of Crater Lake e a cover de Eccentric Man, original dos Groundhogs, de 1960.

Os volumes 5 e 6 são talvez os mais ricos, ou pelo menos, estão entre os 4 mais importantes. Aqui a sonoridade é mais pesada e escrachada, mas não menos densa. Rola inclusive uma pegada levemente Punk Rock. Pra começar já temos (You Think I Ain't worth a Dollar but I Feel like a) Millionaire numa versão diferenciada, que serviria de subsídio pra canção de mesmo nome do épico Songs for the Deaf. Na sequência temos pérolas como Punk Rock Caveman (...), Teens of Thailand, e outras coisas menos sérias como Take me to your leader.

O quarto par, formado pelos volumes 7 e 8 é talvez o mais estranho. Tem músicas de gozação como Covousier e Ending, além de músicas mais pesadas e outras indefiníveis. Inclui ainda uma versão de Hangin' Tree, que depois entraria no mesmo Songs for the Deaf do QOTSA. Não é o melhor de todos, mas vale a audição por canções como Making a Cross e Polly Wants a Crack Rock.

Compiladas no álbum número 5, estão as sessões 9 e 10. Esse álbum em especial tornou-se mais conhecido pela participação bastante ativa de PJ Harvey nas gravações. Prova disso é o single quente de Crawl Home que foi lançado posteriormente e inclui até videoclip. PJ geme deliciosamente sobre uma melodia devassa, merecedora de destaque no conjunto. Mas há também outras pérolas como I Wanna Make it Wit Chu (que depois figurou no Era Vulgaris), In My Head...Or Something (presente no Lullabies to Paralyze), Subcutaneous Phat e Bring it back gentle. É a compilação de sessões melhor estruturada, num esquema mais profissa, com canções mais comerciáveis e ainda assim experimentais.

No geral, as DS servem como um grande laboratório do cientista louco que é Josh Homme. No entanto, possuem também sua importância como material independente, desvinculado do QOTSA. Diz a boca pequena que os volumes 11 & 12 devem sair em breve, mas por enquanto é só balela. Resta a nós dissecar 10 volumes de psicodelia, stoner rock, experimentalismo e bobagens da melhor estirpe, enquanto as boas novas não chegam.


Abraço!

Sugestão de Playlist:

1. Desert Sessions 1 & 2 - Johnny the Boy
2. Desert Sessions 3 & 4 - The Gosso King of Crater Lake
3. Desert Sessions 5 & 6 - Teens of Thailand
4. Desert Sessions 7 & 8 - Nenada
5. Desert Session 9 & 10 - Subcutaneous Phat