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terça-feira, 29 de julho de 2008

Big Time Orchestra

A coisa tá de rosca, como eu sempre digo de início...


Saudações Terráqueos,

Hoje nossa pauta contempla a Big Time Orchestra, Big Band curitibana que produz um Rock/Soul/Swing/Jazz de altíssima qualidade, além de uma performance no mínimo divertida nos palcos.

Vou ser bem direto e conciso para descrever os caras. Mas para os desavisados, já comunico que não tem download, apesar de eu possuir o CD. Explico: Por ser uma banda pouco conhecida no Mainstream, mas de grande qualidade, acho que vale a pena as pessoas gastarem um pouco do seu tempo no site dos caras, e mais do que isso, desembolsar míseras 10 pratas num CD bacana. Apesar de apenas 5 músicas, o disco é bem legal e vem ainda 2 faixas extras em vídeo. Não quero ser o cara a canibalizar as vendas deles, já que eles não disponibilizam nada para download.

Canibalizo sim, de certa forma, o material de grandes bandas, porque acho que é uma forma de lutar contra os preços abusivos dos CDs, além de ser um incentivo à compra do material, pra quem se torna fã de verdade. Além disso, o número de downloads aqui é incipiente perto do volume de vendas dos "grandes", e se eu não fizesse, outra pessoa faria. Mas esse não é o mérito desse Post.

O Show dos caras, com S maiúsculo, que eu presenciei, rolou em Campos do Jordão no sábado, dia 19. Nem sabia que eles eram a banda da noite, mas assim que vi o nome, associei à banda que fecha curtas temporadas no Bourbon Street. Só o fato de estar no Bourbon já me indica um selo de qualidade, e por isso fiquei para checar.

O repertório inclui diversos clássicos, bastante Rockabilly bem suingado, frases de guitarra sempre pertinentes, uma tecladista virtuosa e um naipe de metais muito bem entrosado, não só musicalmente, como na qualidade cénica. Enquanto algum dos membros da banda executa um dos muitos solos que permeiam o show, a trupe dos metais faz coreografias e palhaçadas que dão um brilho extra ao Show. Destaque ainda para o guitarrista estilo Joe Satriani, sua linda Semi-Acústica, e o vocal encorpadíssimo que lidera a banda.

Não cabe aqui ficar pontuando os ápices da apresentação. Basta estender o convite para que vocês acessem o site deles. ali dá para ouvir a banda, ver alguns vídeos, conhecer a agenda de shows, e por ai afora. Fica a dica de que eles vêm pra mais uma temporada no Bourbon em Setembro, por isso preparem suas agendas.

Sem mais delongas, fica o convite.

Abraço!

PS: Meu sonho é ter uma Big Band.

Sugestão de Playlist:
1. Elvis Presley - Hound Dog
2. Buffalo Springfield - Broken Arrow
3. Marina de La Riva - Ta Hi
4. Frank Zappa - Catholic Girls
5. Chico Buarque e Maria Bethânia - Sem Fantasia

terça-feira, 1 de julho de 2008

Infusión Flamenca

Caros leitores, desculpem-me pela demora, mas tinha esquecido completamente da minha promessa de lhes mostrar o Fusion Jazz espanhol.
Não tenho mais nada para lhes dizer sobre a música. Apenas assistam ao vídeo. Espero que gostem.

Sugestão de Playlist
1 - Allman Brothers Band - Hot 'Lanta
2 - Bob Dylan - It's All Over Now, Baby Blue
3 - Thelonius Monk - Brilliant Corners
4 - Led Zeppelin - Black Montain Side
5 - Red Hot Chilli Peppers - Deep Kick

quinta-feira, 24 de abril de 2008

T's, t-t-t's, t-t-t's... Jazz!

Mais um pequeno post que tem muito a acrescentar...

Quando eu penso em uma festa no começo dos anos 70, lotada, regada a muito sexo, drogas e rock'n roll (jazz no caso), com os convidados alucinados e uma pista fervilhando, eu só consigo pensar em uma trilha sonora: Miles Davis, Bitches Brew. Pra quem nunca ouviu falar, essa obra fantástica do mais popular jazzista da história, veio em 1970 e não chegou dando bica na porta, mas jogou uma granada e foi entrando logo atrás pra conferir o estrago.

Um dia após o término do Woodstock, Miles Davis e a sua então nova banda entraram nos estúdios da Columbia Records pra gravar um novo conceito, misturar o rock ao jazz. O disco foi produzido de um modo muito peculiar, o que deu a certeza de que realmente algo novo surgiria, pois o trabalho de aproximadamente 94 minutos foi gravado em apenas três dias e os músicos tinham poucas instruções do que iriam fazer na música. O máximo que recebiam era a informação do compasso, alguns acordes, uma dica sobre a melodia e alguma sugestão sobre o clima e o rumo que a música teria que tomar, ou seja, foi bem na base do improviso mesmo. Se você prestar bastante atenção na música homônima ao disco, dá pra ouvir as instruções de Miles sobre o que fazer ou quem iria solar naquele momento.

A pós-produção do álbum também contribuiu para a qualidade sonora do trabalho, porém uma frase me chamou a atenção: “O produtor Teo Macero talvez foi para Miles Davis o que George Martin foi para os Beatles, pois grande parte do sucesso desse disco se deve às suas artimanhas de edição.” Não concordo. Miles foi soberano nesse disco.

Enfim, curtam o som porque é foda. Já aviso de antemão que é um pouco difícil de escutar no começo, mas depois a coisa flui naturalmente.

Tracklist

Disco 1
Pharaoh’s Dance
Bitches Brew

Disco 2
Spanish Key
John Mclaughlin’
Miles Runs The Voodoo Down
Sanctuary

*A versão em cd ainda traz a música “Feio” como bônus.

Nota: As faixas estão misturadas nos 2 arquivos por motivos de facilidade de upload no 4shared.

Sugestão de Playlist

1 – A Night in Tunisia – Art Blakey and the Jazz Messengers
2 – Alligator Bogaloo – Lou Donaldson
3 – Caravan – Duke Ellington
4 – Spanish Key – Miles Davis
5 – Haitian Fight Song – Charles Mingus

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Do lado de cá!

Aproveitando o assunto do texto anterior (postado pelo Ito), aproveito pra mostrar que do lado de cá também temos Jazz e Grooves de qualidade. Basta visitar os lugares certos.


Caso você não tenha nada para fazer numa terça-feira à noite, considere visitar o Berlin. Trata-se de um club/bar na Barra Funda, em SP. Todas terças, eles tem as Jazz Nights, com som ao vivo de diversas bandas bacanas. Por acaso, estive lá ontem e pude apreciar o som do Jeronimus Jam.

Tal qual o outro relato do nosso amigo Ito, eu fui sem muita pretensão ao Club, esperando apenas uma cerveja gelada. O pequeno luminoso com a letra B identificava o local, com uma fachada simplória, lembrando muito um velho puteiro. Ao entrar, me deparei com a decoração Vintage do bar. O papél de parede florido envolvia todo o ambiente, repleto de elementos dignos de brechó, como abajures vermelhos, lustres da década de 60 e sofás velhos e aconchegantes. Lá na pista, a rapeize conversava alto, enchia a cara e curtia o Funkadelic-Latin-Jazz do Jeronimus Jam, que é o que importa nesse post.
A banda contava com 7 integrantes que compunham um conjunto harmonioso de bateria, guitarra, baixo, teclado, percurssão, flauta transversal, trompete e sax (um dos integrantes toca o sax e a flauta). Abriram com a Pantera cor-de-rosa e pouco a pouco foram destilando o seu groove, com participações do DJ da casa, e de convidados, entre eles, outro saxofonista. Quase não havia vocal nas músicas, e na maioria das vezes a guitarra ficava em segundo plano, dando espaço ao pequeno naipe de metais ensandecidos e ao teclado. Pra completar, a percurssa dava o tempero e o baixo vibrava a estrutura da casa.

Resumindo, vale a pena pegar uma terça a noite e visitar o Bar, pra tomar uma cerveja gelada (a preços decentes) e curtir uma sonzeira. Como não tem álbum pra baixar, deixo aqui um vídeo da banda, em uma outra apresentação não menos suingada. Oye como va!



Berlin
Rua Cônego Vicente Miguel Marino, 85, Barra Funda, São Paulo. (11) 3392-4594.
Jazz Nights todas as Terças à partir das 21h, a R$ 5,00.

Abraço!

Sugestão de playlist:

1. Santana - Black Magic Woman
2. Atomic Fireballs - Man with the Hex
3. Benny Goodman - Sing Sing Sing
4. Dave Brubeck Quartet - Take Five
5. Los Hermanos - Paquetá

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Fusion Espanhol

Aloha!

Após uma longa viagem, cá estou eu novamente para dividir com vocês mais algum resquício de informação que o cérebro ainda armazena.


Nesse finalzinho de Dezembro até o fim de Janeiro, eu estive viajando pela Europa com alguns amigos. Passei por diversos lugares, conversei com muitas pessoas, e, principalmente, conheci muitas culturas. Mas uma noite em especial me chamou muito à atenção.

Estávamos em nossa primeira noite em Barcelona, ainda sem saber o que fazer, até que o "Guia da Europa" recomenda: "Harlem Jazz Club, um antigo bar com jazz ao vivo". Opa, o nome é chamativo e a localização é bastante próxima (como ir a pé de uma esquina do Masp até a outra, porém, passando por diversas ruelas bastante charmosas).

Chegamos ao local e pegamos um lugar bem em frente ao palco. Algo ali me chamou a atenção, pois apenas descansavam sobre o palco uma flauta, um violão e um kit misto de bateria e percussão (surdo, caixa, cajon, chimbal e splash). Logo percebi que a apresentação não seria de puro jazz, e sim de um fusion. E foi o que aconteceu, Pepe Camacho, o violonista, e sua banda subiram ao palco e mandaram um jazz fusion de excelente qualidade. Misturaram, entre outras coisas, flamenco e chorinho ao jazz. Mas foi antes da primeira pausa que a banda atingiu o seu clímax e nos mostrou algo inédito até então. O percussionista saiu de seu kit e à frente do palco, acompanhou a base tocada pelos outros músicos fazendo um sapateado flamenco. Nunca tinha visto um negócio desses! Com muita maestria e um toque de feminilidade, o músico dançou tocando com os pés por mais algumas poucas músicas.

Devido ao cansaço, nós tivemos que sair antes do show terminar, mas foi o bastante para perceber que os estilos mais ricos são sempre misturas, e aqueles músicos misturaram com maestria o estilo local com o jazz que todos nós conhecemos.

Recomendo o Harlem para todo mundo que passar por Barcelona. Vale muito a pena! Enquanto eu ainda não consigo o material do Pepe Camacho, ficam como sugestão de playlist algumas músicas de três dos melhores jazzistas do mundo.

Sugestão de Playlist:

1. Miles Davis - Miles Runs the Voodoo Down
2. Miles Davis - Spanish Key
3. Charles Mingus - Haitian Fight Song
4. Charles Mingus - Pithecanthropus Erectus
5. Herbie Hancock - Watermelon Man
6. Herbie Hancock - Cantaloupe Island