terça-feira, 19 de junho de 2007

A era (in)comum

Saudações!

É com muito prazer que anúncio a volta deste periódico, depois de meses de abstenção. Agora sim sou um homem livre, comunicólogo formado, pronto para desfrutar os prazeres da carreira profissional – apesar de ainda carregar a cruz de estagiário por mais alguns dias – e mergulhar nas maravilhas de uma jornada de trabalho sem a preocupação de um TCC (PGE para os Espmianos).

De fato este pequeno espaço virtual carecia de atenção. Não passava de um pequeno blog faminto, ocupando um pedaço ridículo dos servidores do Google. Agora sim, pretendo aproveitar bem o espaço e tornar periódica a atualização desta porra. Espero que você, que me acompanhou durante todos estes meses, continue acompanhando e repudiando meus textos. Caso você seja novo por estas bandas, seja bem vindo e sinta-se à vontade para criticar e opinar.

Depois do longo jejum, venho aqui recomendar um belo banquete musical. Como sempre, as maravilhas da Internet permitiram que eu, e mais milhões de usuários, tivéssemos acesso ao tão esperado Era Vulgaris, antes mesmo do seu lançamento, ocorrido no último dia 12.

Pra quem não sabe, Era Vulgaris é o nome do novo álbum do Queens Of the Stone Age. Algumas músicas já tinham vazado antes do álbum completo, mas eu não havia me dado por satisfeito. Na verdade, estava até um pouco apreensivo, pois não tinha gostado muito do que tinha ouvido até então. Mas o fato é que o Era Vulgaris, assim como qualquer outro disco do QOTSA, é de difícil audição. É preciso assimilar o material antes de proferir qualquer opinião. E feito isso, o que posso dizer é que mais uma vez o QOTSA fez um disco do caralho.

A comparação com os álbuns anteriores, em especial com o Songs for the Deaf (já citado neste mesmo blog), é inevitável. Nesse quesito, o Era Vulgaris perde, por pouco, mas perde. Mesmo assim é um puta disco. É naturalmente indigesto, industrial, inteligente, indecente e muitos outros In’s.

Josh Homme conseguiu colocar num mesmo álbum sua genialidade em canções pesadas, leves, imprevisíveis, estranhas, fabulosas, enfim, ao gosto do freguês. Nota-se uma boa influência de White Zombie, principalmente pela pegada industrial, em canções como Battery Acid e Misfit Love. Ao mesmo tempo, Turning on the Screw faz-me lembrar dos Beatles, especialmente pela linha vocal.

I’m designer não se parece com nada do que eu já ouvi na vida, ao passo que River on the Road lembra uma marchinha de carnaval, executada pelo Belzebu, é claro. Destaco ainda a regravação de Make It Wit Chu, originalmente encontrada no Desert Sessions 9 & 10, a rebelde 3’s & 7’s e Into The Hollow, com sua deliciosa pegada cool.

Falando em banquete, o clipe de Sick, Sick, Sick, um dos primeiros singles a vazar, com a participação de Julian Casablancas (Strokes), já está disponível. Se você quiser ver, basta clicar aqui.

Em linhas gerais, considero o disco Muito Bom. Nota 9,0. Ainda não passou o Songs for The Deaf e o Rated R, mas está de ótimo tamanho. Se te interessou, baixe o material:
Se já conhece, faça seu comentário, logo abaixo. E obrigado pela paciência.

Créditos para a comunidade do QOTSA no orkut, que possibilitou o download do material:
Lista de músicas do Era Vulgaris, Queens of the Stone Age:

1. Turnin' on the Screw 2. Sick, Sick, Sick 3. I'm Designer 4. Into the Hollow 5. Misfit Love 6. Battery Acid 7. Make It Wit Chu 8. 3's & 7's 9. Suture Up Your Future 10. River in the Road 11. Run, Pig, Run


Sugestão de Playlist:

Black Cat Moan - Jeff Beck

I think I lost My Headache - Queens of The Stone Age

Colossal - Wolfmother

Desafinado - João Gilberto e Stan Getz

Let it Down - George Harrison.

Abraço!

terça-feira, 22 de maio de 2007

Pequeno Post Notificador

Comentário Alarmante. Só isso que tenho a dizer.
Um veículo de comunicação do porte da BBC não pode transmitir informações erradas, por menor que elas sejam. No header do meu e-mail vejo a notícia:
Cliquei frenéticamente no banner para saber o que "se assucedeu" e leio a notícia. Até aó, tudo OK, até que vejo a seguinte passagem:
"Sem Waters, o Pink Floyd executou a canção "Arnold Layne", o primeiro sucesso do grupo e uma das músicas mais famosas de Barrett e do disco "Bike", álbum de estréia da banda."
Puta que pariu, peloamordedeus, nossa senhora. Como, a BBC, veículo jornalístico de alta credibilidade, e ainda por cima inglês, me cita uma bosta dessas? Caiu no meu conceito. E pior de tudo é que isso ai tá rolando na Net loucamente. Já vi no site do Terra e até no site da Prefeitura Municipal de Atalaia.
Ora, faça me o Favor!
Ps: Ainda não tenho tempo pra posts interessantes. Em breve.
Ps II: O primeiro disco do Floyd é o Piper at The Gates of Dawn

terça-feira, 17 de abril de 2007

A short message from our sponsors

E agora, uma pequena palavra dos nossos patrocinadores:

Em aproximadamente 10 dias este blog voltará à sua atividade normal. Enquanto isso, critique, faça seu comentário, ou não faça nada.

Até Breve!

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Chuva de Espinhos

Quick post #1
Quantidade exorbitante de tarefas e tempo reduzido. É a minha vida agora. Não sobra tempo nem para alimentar esse pequeno blog. Não com posts encorpados (com exceção do último, recordista de linhas). Mas de post em post o blog enche o papo.

O fato é que a mim a música faz falta. E de época em época eu me torno ávido pra ouvir coisas novas. Uma vontade incontrolável de escutar uma música que não sei qual é. Às vezes ela aparece, como apareceu outro dia. Foi apenas uma música. Impressionante como ela me restaurou.

Senti a mesma coisa que sente um pequeno rebelde ao escutar Ramones. O que sente um metaleiro ao escutar Cowboys from Hell, ou um sambista ao escutar Cartola. Foi uma sensação semelhante à de qualquer ser vivo que escuta pela primeira vez o Lado B do Abbey Road. Uma plenitude, uma renovação, um arrepio, e essas coisas que a música faz com a gente.
Parecia Yes. Um som progressivo, lisérgico, trabalhado, irregular, original. Depois entrou o baque: "Chuva de espinhos sobre o coração, faz sangrar no fundo e a ilusão!". Uma pegada impressionante, o baixo grave, um coro fantástico, uma verdadeira chuva de espinhos, mas que não feriam.
Deixe entrar um pouco d'água no quintal é a faixa de abertura do Álbum "Tudo foi feito pelo sol", dos Mutantes. Com ou sem Rita Lee, os caras são fodas. E essa música mexeu comigo. Era extamente o que queria ouvir, e provavelmente é o que você procura. Se já conhece, sabe do que eu estou falando. Se não conhece, prepare o seu Emule, ou similar. Não vou nem sugerir um Playlist dessa vez. Sugiro Deixe entrar um pouco d'água no quintal cinco vezes pra você!

Abraços Mutantes

quinta-feira, 29 de março de 2007

O show do ano

Se pudesse definir em uma palavra, seria sublime. Ou talvez genial. Fico na dúvida, pois não me vem à cabeça uma palavra que exprima as duas coisas. Adjetivos não faltam, mas nenhum deles expressaria por completo o que foi Roger Waters no Morumbi. Nem mesmo um livro expressaria tudo. Uma resenha então, seria um ultraje, um atrevimento. Mas eu me atrevo a tentar explicar o que foi, e como foi essa experiência inigualável.

Os portões do estádio abririam às cinco da tarde e o show começaria por volta das 9 da noite. Chegamos ao local às 7 da noite, 50 reais mais pobres, depois de 2 km de caminhada e 1 hora de trânsito. O Morumbi era um completo caos. Cambistas, comerciantes ambulantes, policiais, pequenos maloqueiros, velhacos roqueiros e outros fãs dividiam o espaço. Por entre a multidão, caminhamos em direção ao portão 6, setor laranja. Obviamente, era o setor mais distante de onde estávamos, e a fila quase completava 2 km de extensão.

Depois de alguns minutos na fila, entramos no estádio, munidos de guloseimas e bebidas para esperarmos o início do show. Fomos surpreendidos pelo segurança, que alertou que as guloseimas estavam liberadas para consumo dentro do local. As bebidas, por sua vez, estavam proibidas. Na verdade, a água estava liberada, mas as garrafas e copos não. Lembrei-me que estava no Brasil, e conformado, entrei com um litro de água flutuando ao meu lado. Dentro do estádio, o copo d’água aumentava um real a cada meia hora, começando em 2 reais.

Resumindo: Puta organização.

Ao sentar na arquibancada, olhei para o palco e vi uma cena ordinária. Uma garrafa gigante de Black Label, um copo gigante de uísque, um cinzeiro gigante recheado de bitucas gigantes, e um rádio (gigante, é claro). Enquanto isso, o estádio enchia e eu podia invejar os indivíduos mais providos se alocando na área VIP, a aproximadamente 3 metros do palco.

Por volta das 20:55, o cinzeiro gigante começou a soltar fumaça.

"Nossa, tem uma fumacinha saindo do cinzeiro. Como será que eles fazem aqu... Puta que pariu!" Um braço gigante apareceu no palco, pegou um cigarro e o copo de uísque. Não era possível, não podia ser real. E não era. Era um enorme telão, com a melhor definição que eu já pude sonhar um dia.

Alguns rocks depois, apagaram-se as luzes e a música ambiente parou. O estádio se transformou num breu eufórico, à espera do homem. Às 21:05, o estádio explodiu com In the Flesh e seus martelos marchantes. Em seguida, Mother acalmou os ânimos e convidou o público a cantar junto. Depois, Set the controls to the heart of the sun, com seu clima misterioso trouxe diversas fotos dos primórdios do Floyd, com Syd Barret na formação.

Na sequência, Roger aplica uma boa dose de adrenalina ao executar Shine on. Essa música em especial foi foda, ainda mais com os timbres que David Kilminster tirava daquela telecaster creme. E o Morumbi ecoava com os gritos de "Shine on you crazy diamond!". Depois, surpreendendo a todos, "Have a cigar", e novamente o diabo das guitarras deu um show à parte, enquanto Roger gritava do fundo da alma "Come in here dear boy, have a cigar, you're gonna go far...".

A mão gigante surgiu no palco novamente e começou a trocar as rádios, denunciando o início de Wish you were here. E logo depois do solo, as pessoas se arrepiavam ao cantarem juntas "How I wish, how I wish you were here. We're just two lost souls swimming in a fish bowl, year after year". Em seguida, Roger tocou algumas do Final Cut e da sua carreira solo, que francamente, não conheço muito bem. Mas Southampton dock, The Fletcher memorial home e Perfect sense foram executadas com a maestria de sempre do velho Roger.

Depois disso, o frontman anunciou que tocariam uma música nova. E que música, diga-se de passagem. Leaving Beirut, apesar de desconhecida, fez o estádio tremer. Frases como "Oh George! Oh George!That Texas education must have fucked you up when you were very small" revelaram a enorme crítica a Bush, e pra completar, o pequeno Andy Fairweather Low dilacerou sua guitarra num solo inacreditável.

Pra não perder o clima, Roger surpreendeu novamente tocando Sheep. Ninguém imaginava, e a coisa se tornou mais inacreditável quando o enorme porco rosa começou a flutuar no céu, repleto de frases como "Hey, Killers, leave the kids alone" e "All we need is education", além de "Bush, o Brasil Não está à venda!" escrito no ânus do 'suíno róseo. E com o porco viajando pelo céu paulistano, a primeira parte do show se encerrou.

Na segunda parte, 15 minutos depois, sabíamos que o Dark Side of The Moon seria executado por completo. A lua no telão crescia exponencialmente, e quando estava tomando todo o telão, podíamos ouvir as batidas de um coração, que logo foram tomadas pelo clima ameno de Breathe.

Em seguida, os sintetizadores lisérgicos de On the run faziam a contagem regressiva para a entrada de Time. E os relógios marcaram a hora exata do início da música. Pra mim, Time foi um dos grandes destaques. A música foi perfeita, e a maneira como o solo preencheu cada espaço do Morumbi foi fantástica. Kilminster foi foda. Muito Foda.

Pra não cair o nível, The Great Gig in The Sky simplesmente quebrou tudo. A cada grito da vocalista, um arrepio subia na espinha. Genial. E depois a caixa registradora chamou Money. Pra quem gosta de guitarra, foi excelente. David Kilminster, Snowy White e Andy Fairweather Low dividiram os solos, um melhor que o outro, mas novamente o pequeno Fairweather foi o melhor.

Na sequência, Us and Them me surpreendeu. A música já é ótima normalmente, mas da maneira que foi executada, foi um dos picos do show. O coral da banda, somado aos efeitos do telão e de iluminação hipnotizaram o público, literalmente. E Any colour you like trouxe mais uma boa pitada lisérgica pra galera, com teclados inebriantes (como sempre) e solos de guitarra não menos loucos.

Quando Brain Damage começou, o prisma já começava a pairar no cume do palco, e quando Eclipse começou, o show começava a anunciar o seu fim. Da maneira emocionante que foi executada, a música poderia ter fechado o show, mas todos nós sabíamos e estávamos àvidos por um bis.

E o Bis veio, com as crianças do projeto Guri, cantando junto com todo o Morumbi "Hey, teacher, leave the kids alone!". Logo em seguida, ninguém imaginava novamente que Roger tocaria Vera. E tocou, trazendo na sequência Bring the Boys Back Home. Meu deus, aquilo foi impressionante, foi a representação perfeita do triunfo e da glória. Inacreditável. E com o fim da música, escutamos aquele "Hello" que já esperávamos. Comfortably Numb veio pra fechar com chave de ouro a apresentação. Mas trouxe junto uma tristeza, um sentimento saudoso. O show de 2002 foi superado, sem sombra de dúvidas.

Roger enrolou-se na bandeira brasileira e se despediu. E as pessoas, pouco a pouco saiam do transe e começavam a andar em direção à rua. Tudo voltou ao normal, a mesma bagunça da entrada. Mas cada um saia dali diferente, novo, revigorado. E com a esperança que Roger volte daqui mais 5 anos, com um espetáculo ainda mais avassalador, e quem sabe, com David, Richard e Nick.

Abraço!

Sugestão de playlist

Roger Waters - Leaving Beirut
Queens of the Stone Age - First it Giveth
NOFX - Glass War
Mutantes - Deixe entrar um pouco d'água no quintal
Eagles - Hotel California