Digno da coroa e do cetro de atual rei, ele é a personificação do heavy weight blues. É a própria história do jovem negro do Mississipi que foi tentar a sorte na cidade grande e acertou o jackpot. Quem nunca ouviu falar deste velho barrigudo cheio de carisma? Há quem diga que ele não é o cara mais rápido nas 6 cordas. Eu concordo. E há quem diga que ele não é tudo isso. Aí eu discordo. B.B King, mais do que apenas tocar guitarra, sente o blues. Ele vive o blues. Ele é o Blues.
Agora, se Riley “Blues Boy” King é o rei, quem é Eric Clapton?
Ora bolas, Clapton é o dínamo, o supra-sumo, o timbre-aveludado do blues e do rock. É a razão da existência dos Dominós, e a apoteose de “While my guitar gently weeps”. Clapton is God (parafraseando a famosa inscrição nos muros de Londres, nos anos 70).
Agora imagine-se sob o torpor de um velho Pub, sentado à uma mesa de madeira, tomando sua quarta dose de whisky e observando, por entre o breu e a fumaça, um par de cachorros velhos tocando um blues de primeira qualidade. Ou ainda, imagine-se sozinho num velho Cadillac conversível a 120 km por hora, com seu chapéu de cowboy manchado e uma bituca de cigarro em sua boca. O seu toca-fitas reproduz um bom boogie enquanto você percorre a auto-estrada esburacada, sentindo o vento na sua cara e o sol do meio-dia queimando o seu antebraço. Ok, viajei. Mas esse é o clima de “Riding with the King”. É o típico álbum de blues recheado de acordes de piano em sétima, letras melancólicas sobre a mulher que sumiu e solos de guitarra deliciosos, tudo isso sob a luz do Rock. Pra completar, é tocado com maestria pelos dois figurões descritos no início do texto e contempla alguns dos clássicos do blues (a maior parte, de autoria do Rei).
É um álbum cool, para momentos cool, ou seja, para se curtir sozinho, de preferência no seu laboratório pessoal (no meu caso, o meu carro). É pra se prestar atenção nos timbres que Clapton põe sobre a mesa, no compasso marcado lentamente pela bateria, e no canto amargurado de B.B King. Não cabe aqui citar faixa por faixa, uma vez que cada uma traz o seu trunfo, seu segredo.
Abraço!
