Após uma longa viagem, cá estou eu novamente para dividir com vocês mais algum resquício de informação que o cérebro ainda armazena.
Nesse finalzinho de Dezembro até o fim de Janeiro, eu estive viajando pela Europa com alguns amigos. Passei por diversos lugares, conversei com muitas pessoas, e, principalmente, conheci muitas culturas. Mas uma noite em especial me chamou muito à atenção.
Estávamos em nossa primeira noite em Barcelona, ainda sem saber o que fazer, até que o "Guia da Europa" recomenda: "Harlem Jazz Club, um antigo bar com jazz ao vivo". Opa, o nome é chamativo e a localização é bastante próxima (como ir a pé de uma esquina do Masp até a outra, porém, passando por diversas ruelas bastante charmosas).
Chegamos ao local e pegamos um lugar bem em frente ao palco. Algo ali me chamou a atenção, pois apenas descansavam sobre o palco uma flauta, um violão e um kit misto de bateria e percussão (surdo, caixa, cajon, chimbal e splash). Logo percebi que a apresentação não seria de puro jazz, e sim de um fusion. E foi o que aconteceu, Pepe Camacho, o violonista, e sua banda subiram ao palco e mandaram um jazz fusion de excelente qualidade. Misturaram, entre outras coisas, flamenco e chorinho ao jazz. Mas foi antes da primeira pausa que a banda atingiu o seu clímax e nos mostrou algo inédito até então. O percussionista saiu de seu kit e à frente do palco, acompanhou a base tocada pelos outros músicos fazendo um sapateado flamenco. Nunca tinha visto um negócio desses! Com muita maestria e um toque de feminilidade, o músico dançou tocando com os pés por mais algumas poucas músicas.
Devido ao cansaço, nós tivemos que sair antes do show terminar, mas foi o bastante para perceber que os estilos mais ricos são sempre misturas, e aqueles músicos misturaram com maestria o estilo local com o jazz que todos nós conhecemos.
Recomendo o Harlem para todo mundo que passar por Barcelona. Vale muito a pena! Enquanto eu ainda não consigo o material do Pepe Camacho, ficam como sugestão de playlist algumas músicas de três dos melhores jazzistas do mundo.
Sugestão de Playlist:
1. Miles Davis - Miles Runs the Voodoo Down 2. Miles Davis - Spanish Key
Pós-carnaval, e as coisas ainda vão lentas por aqui. Início de ano atribulado, várias idéias não concretizadas e um bloguezinho faminto. É hora de servir um postzinho encorpado.
Nada de mistérios, introduções marotas, ou palavras boas-vindas. Eis o que teremos por essas bandas. De cara, uma impressão de Radiohead - In Rainbows. Depois, outra impressão, de Tommy Guerrero - Return of the Bastard. E no meio de tudo, comentários inadequados. Adiante...
Thom Yorke e seus capangas causaram o maior frisson na mídia quando resolveram lançar In Rainbows virtualmente. Vários artistas já fizeram isso, inclusive mandando aperitivos via myspace ou por meio de alguns leaks intencionais na downloadsfera (neologismo-mo).
Mas a diferença dessa vez foi a transação. O usuário podia entrar no www.inrainbows.com e baixar o álbum inteiro pelo preço que julgasse justo. Fãs inveterados pagaram rios de dinheiro, assim como curiosos pingaram algum trocado, e outros simplesmente baixaram de graça. Tô falando no passado porquê a mamata acabou. Agora só pagando 40 libras num box com disco vinil, CD duplo (com canções inéditas) e livreto com letras e outros badulaques.
Particularmente, achei a estratégia interessante. Deu pra banda arrecadar uma grana, que teóricamente estaria perdida, já que é fácil achar quase qualquer álbum nas entranhas da web. Além disso, serviu pra dar uma atenção maior aos caras, e agora eles podem cobrar 40 dinheiros pelo disco com algumas cerejas à mais no bolo. Óbviamente, teve gente que discordou, "artista" que achou que a banda se desvalorizou (hue hue hue), nego dizendo que foi só uma "jogada de márketi" e tudo mais. Fato é que chamou a atenção e foi legal.
O disco? Ah é. Bom, o disco é legal sim, é bacana. Sempre fui meio descrente com Radiohead. Achava que só Creep prestava, e que depois disso era só loucura-viajante-eletrônica-niilista. Mais uma vez eu me enganei, e mais, fiquei curioso pra conhecer trabalhos mais reconhecidos deles, tipo Kid A e o OK Computer.
O In Rainbows é um disco coeso na minha opinião. Traz várias influências, do Rock, do jazz ao eletrônico, e com um pitaco de Bossa, tudo convergindo pra um som diferenciado. Difícil explicar bem o som dos caras, dada a minha ignorância em relação ao passado da banda. O disco todo parece uma Jam introspectiva, trazendo elementos de orquestra, bastante piano e acordes de violão muito harmônicos. O bacana é ouvir o analógico com toques de eletrônico, e não o inverso. Destaco Bodysnatchers como a música movimentadinha/dançante, ou Jigsaw Falling into place, mais calma, tipo Chill-out. Mas o restante é bom também, e por isso, o download está disponível logo abaixo.
Em relação a Tommy Guerrero, a sugestão foi novamente do Tadashi. Vou apresentar conforme eu vi no Less Talk, More Rock:
"Um skatista resolve partir pra música. Felizmente, esse não é um post do Charlie Brown Jr. Tommy Guerrero, de San Francisco, foi atleta profissional nos anos 80, chegando a ser membro da lendária Bones Brigade".
É bem por aí. Se formos levar em conta o background do cara, podemos ficar com um pé atrás. Mas nada tem a ver com o Cheirão. Aqui, o gringo mete bronca num som mais funkeado, puxado no groove. Além disso, tem uma levada que lembra Hip Hop, sem aquele ranço artificial. É gente de verdade tocando o som. Quase todo instrumental, esse disco sintetiza a filosofia do Skate ao passo que notamos uma boa influência de Dub. Ou seja, o cara vai jogando tudo na panela, fazendo um refogado com um pouco de cada coisa.
O resultado é um som bem original e interessante. Rola um baixo mais atrevido aqui, uma guitarra besuntada de Delay ali, um assobiozinho malandro acolá, e por ai vai. Destaque para Bloodinthemud, Zapata's boot's e Paper Switchblade. Logo abaixo uma prévia do som, e mais embaixo o download, totally free!
Finalizando, gostaria de anunciar a todos a campanha que acabou de me ocorrer. Como alguns sabem, sempre achei válida qualquer contribuição para esse espaço e por isso resolvi lançar a campanha Feed this Blog. Se você quer escrever um texto sobre algum som bacana, quer sugerir algum álbum, ou simplesmente que falar de alguma coisa, manda um texto pra gente no 115decibeis@gmail.com. O texto irá passar pelo nosso rigorosíssimo crivo, e poderá ser publicado, com os devidos créditos ao autor.
Parece brincadeira, mas quem quiser mandar textos, saiba que o espaço está aberto e o e-mail realmente ecziste!
Bom, é isso. Pra você que conseguiu ler até aqui, deixo de lambuja uma pequena apostila com uma coletânea de artigos da Internet, sobre equipamentos de Guitarra (amplificadores, pedais e captadores), que pode ser bem útil. Ainda é a versão beta, com erros gramaticais e poucas fotos, mas é bacaninha. Pra baixar, clique aqui.
Sonzeira muito boa que eu peguei no Musik 4 Friends. Álbum póstumo de Ibrahim Ferrer junto com o Buena Vista Social Club. Pegaram várias músicas de bandas pop e deram um tempero cubano. Sem dúvida muita coisa sem sal melhorou demais, como é o caso de Arctic Monkeys. Não tenho muito repertório pra falar pois não conheço picas de música cubana. Mas vale a pena baixar. Vários pianinhos serelepes, reco-recos a granel, percurssões quentes e muito groove latino. Pra provar que até Arctic Monkeys fica tragável, saca o vídeo abaixo. Não é clipe, mas presta atenção no som.
Tá bom, ficou legal sim, mas Arctic Monkeys ainda não me convenceu, e isso é outro papo. Baixa ai no link abaixo:
Era uma tarde de sol forte. As gotas de suor em sua testa denunciavam a ineficácia do ar condicionado. Seus dedos colavam nas teclas do computador, e o tédio se disseminava pelo seu corpo, catalisado pela quinta xícara de café. Já tinha cumprido com suas obrigações e aguardava ansiosamente o momento de se libertar da cadeira de feltro vermelho. Ainda restavam 2 horas e 30 minutos de ociosidade.
Há exatamente 1 ano e 1 dia atrás, esse indivíduo ai de cima (eu) teve um estalo. Com a idéia fixa de escrever sobre o que eu mais gosto, resolvi criar um blog. Quando me dei conta, já tinha escrito uma dúzia de textos e estávamos em Abril de 2007. Agora, passado um ano, me orgulho de ter criado esse pequeno espaço para falar de música e de ter seguido à risca essa proposta. Dediquei mais tempo a isso do que esperava, escrevi mais textos do que pensei que escreveria, e em contrapartida, recebi mais visitas do que imaginei.
Não tenho pretensão nenhuma de virar blogueiro profissional, na verdade acho isso meio deprimente, mas é bacana ver que 1.289 pessoas diferentes passaram por aqui para ler pelo menos uma das 47 postagens. É um número irrisório perto dos grandes volumes de leitores dos gigantes da blogosfera, mas e daí? Eu esperava ter 1 ou 2 leitores, então me considero no lucro.
A idéia de disponibilizar para download os discos que tratávamos aqui, junto com algumas trocas de links, só aumentou o fluxo do site. Desde que a HD virtual foi criada, em setembro, já foram 579 downloads de álbuns de 27 artistas e bandas, e por enquanto o recordista é The Road to Escondido.
Enfim, esse post não serve pra nada a não ser agradecer a todos que já visitaram essa budega, inclusive você. De uma forma ou de outra, queremos aumentar o interesse das pessoas pela música e pela escrita. Falo isso porquê consegui fazer com que outras pessoas escrevessem sobre música e baixassem bons discos que não conheciam. Mas sobretudo, o grande ganho para mim é ter praticado a escrita e ter mergulhado como nunca na música. Nunca ouvi e conheci tanta música nova, e espero que a cada ano eu me supere, e você também.
Desculpa ai se você não concorda com download de música. Pode parecer hipocrisia, mas o que eu espero dessa história é que as pessoas baixem, se interessem e depois comprem o álbum. E desculpa também pelos erros de português e pelos equívocos. Estamos fazendo o melhor pra manter isso aqui vivo.
Que 2008 supere nossas expectativas, e que a boa música ganhe mais espaço!
Fugindo do propósito citado há alguns posts atrás, trago aqui um som mais atual, mas não menos interessante.
John Frusciante ingressou como guitarrista nos Chilli Peppersem meados de 1988. Seu debut com a banda foi em Mother's Milk, de 1989. Quatro anos mais tarde, já completamente mergulhado nas drogas, Frusciante deixava a banda, aparentemente sofrendo de depressão. Vendeu suas guitarras para comprar drogas e largou mão da música até 1997, quando retornou ao Red Hot Chilli Peppers (na verdade, ele chegou a lançar um trabalho solo em 1994 e outro em 1997). Em 1999 grava Californication com a banda, e é a partir desse ponto que eu comecei a tomar conhecimento do guitarrista.
Comentário pessoal:
É verdade que eu tinha um pouco de preconceito em relação à John Frusciante, por 2 motivos. O primeiro é justamente o fato da minha fase favorita do Red Hot se situar no hiato da participação dele (já tratamos aqui do One Hot Minute). Em função disso, vem o segundo motivo. Eu achava o cara meio limitado, e insconscientemente culpava-o pela notável sindrome da banda de lançar sempre a mesma música. Há! Vai dizer que você nunca achou que o Red Hot lançava sempre a mesma música várias vezes, dada a semelhança entre todas elas? Até hoje a banda usa e abusa de uma fórmula, que lhe rende bons cifrões. Mas isso é outras história.
O fato é que eu não sabia que o cara praticamente desaprendeu a tocar guitarra.
É isso mesmo. Após ter usado tantas drogas e vendido suas guitarras, Frusciante parou de tocar e precisou ganhar uma nova de Anthony Kiedis para retomar o gosto pela coisa. Tanto é que em Californication notamos um Frusciante "lesado" (vide o solo da faixa título do álbum). Mesmo assim, o disco tem melodias bem aproveitáveis, na minha humilde opinião.
Então em 2004, mais habilidoso, o guitarrista decide novamente dedicar um pouco de seu tempo para suas criações, e mostra ao mundo a sua faceta mais criativa. Somente naquele ano, Frusciante lançaria 5 trabalhos, entre Full Lenghts e EPs. Destes trabalhos, destaco aqui um.
Shadows Collide With Peopleé um disco bacana. Tem uma sonoridade meio pop sim, mas e daí? Quem disse que pop é necessáriamente ruim? Não vou entrar no mérito da questão, por que isso já renderia pelo menos 150 posts. O fato é que Shadows Collide with People consegue ser comerciável, interessante e surpreendente ao mesmo tempo. É uma boa pedida quando se está à procura de um som diferente, porque é original.
O àlbum mistura riffs de guitarra imprevisíveis com outros mais "desgastados". Em meio a isso, Frusciante abusa de efeitos eletrônicos que decoram a música, e paralelamente rasga nos vocais. Aliás, a voz do guitarrista é um dos pontos fortes do álbum, passeando por entre sussurros e falsetes (perdoe o provável erro de português). Entre as músicas, destacam-se Regret,Wednesday's Song e a excelente Carvel (Up and down, that's how, energy stays alive...),
Em suma, é mais um daqueles discos que não vai mudar o mundo, mas é bem bacana e desperta o interesse pelo artista, tanto é que The Will to Deathjá está na minha HD. Felizmente, mudei meu conceito sobre John Frusciante, e espero que você também mude.
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